
Documento elaborado pelo senador Alessandro Vieira defendia responsabilização de autoridades e mapeava avanço do crime organizado no país
A rejeição do relatório final da CPI do Crime Organizado, por 6 votos a 4, encerrou os trabalhos da comissão sem aprovação oficial. O texto elaborado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), ganhou destaque por propor o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes — além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O documento de 220 páginas também apontava que cerca de 26% do território nacional estaria sob influência direta de organizações criminosas, afetando mais de 28 milhões de pessoas. Vieira destacou ainda a lavagem de dinheiro como mecanismo central de sustentação dessas facções, envolvendo setores como ouro, imóveis, bebidas, fintechs e criptomoedas.
Mais cedo, na abertura dos trabalhos, houve a troca de integrantes do colegiado. Os senadores Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA) substituíram os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), integrantes do bloco partidário formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil.
A substituição ocorreu a pedido do líder do bloco desses parlamentares, Eduardo Braga (MDB-AM), a quem cabe indicar os integrantes do colegiado.
O relator Alessandro Vieira imputou ao governo a troca de integrantes do colegiado e a derrota na votação.
Vieira defendeu o indiciamento de ministros do Supremo e disse que a derrota só “vai adiar a pauta”.
Apesar da rejeição, o relatório trouxe dados relevantes sobre a atuação de grupos como PCC, Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro, além de registrar experiências positivas das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), que apreenderam mais de R$ 4 bilhões e prenderam 842 foragidos entre 2021 e 2025.
Por Jorge Ramos – Redação Vai Vendo Brasil Fonte: Agência Brasil







