Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, é acusado de operar esquema de descontos indevidos em aposentadorias e movimentar milhões em propinas.
Brasília, 12 de setembro de 2025 — A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, apontado como o principal operador de um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A prisão ocorreu durante nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga a atuação de associações de aposentados e entidades privadas que, com apoio de servidores públicos, aplicavam mensalidades não autorizadas sobre os benefícios previdenciários.
O esquema
Segundo a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), Antunes usava procurações de entidades para negociar acordos de cooperação técnica com o INSS, permitindo o acesso a dados de aposentados e a aplicação de descontos automáticos. A associação Ambec, por exemplo, passou de 3 para mais de 600 mil associados em apenas dois anos, com faturamento mensal saltando de R$ 1,8 milhão para R$ 30 milhões.
Antunes nunca foi servidor público, mas mantinha relações com diretores do INSS e do Ministério da Previdência. Ele é dono de 15 empresas, incluindo consultorias, construtoras e incorporadoras, muitas registradas em nome de parentes.
Ostentação e patrimônio
Durante as investigações, a PF identificou:
Compra de três Porsches zero km
Aquisição de um casarão no Lago Sul, em Brasília, por R$ 3,3 milhões
Frota de carros de luxo e imóveis em nome de suas empresas
Antunes também já havia prestado depoimento à PF em outro caso, relacionado à Operação Gaveteiro, que apurou desvios no Ministério do Trabalho durante o governo Michel Temer.
Repercussão política
A prisão ocorre após a CPMI aprovar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Antunes. O escândalo já levou ao afastamento de Alessandro Stefanutto, presidente do INSS, e de outros servidores envolvidos.
A investigação continua, e o caso é considerado um dos maiores esquemas de fraude já identificados contra o sistema previdenciário brasileiro.







