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Crônica de Americanópolis d’Oeste, Eleições 2026

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Foto: Franco/ Divulgação/ Arte: criação I-A Copilot

Entre o samba meio torto e o flamenco sem compasso, a democracia desafina em Americanópolis d’Oeste

Por Jorge Ramos

Na Espanha de outrora, o ditador Franco regia um flamenco sem compasso: passos duros, palmas ritmadas pela força, e quem ousasse desafinar era silenciado. Ditadura é isso: não há improviso, só obediência.

Já em Americanópolis d’Oeste, a democracia deveria ser um samba bem marcado, cada candidato com o mesmo espaço no terreiro. Mas eis que o Alcaide conduz a orquestra, e ao seu lado surge o herdeiro político, afastado do cargo por exigência da lei, mas ainda dançando no palco como se fosse parte da bateria.

A Lei nº 9.504/1997 não deixa dúvidas: todos os candidatos devem disputar em condições de igualdade, sem uso da máquina pública para promoção pessoal. Mas em Americanópolis, o herdeiro aparece em vídeos e postagens que exaltam feitos da administração, como se fosse maestro da escola de samba. Funcionários de confiança compartilham, multiplicam, reverberam e o samba, que deveria ser coletivo, vira solo ensaiado.

O povo comenta nas praças: “Ora, se a lei exige desincompatibilização para evitar vantagem, por que o herdeiro continua colhendo frutos da gestão do pai?” A resposta é irônica: porque o pai é o Alcaide, e a estrutura pública funciona como palco iluminado.

Não é ditadura, não há censura, ninguém é preso. Mas há um jogo desigual. O Franco de lá governava pela força; o herdeiro de cá governa pela esperteza, pela herança e pelo uso indireto da máquina. Um chicote invisível, feito de propaganda institucional e compartilhamentos estratégicos.

E assim, em Americanópolis d’Oeste, a democracia dança um samba meio torto, tropeçando nos próprios passos, ou um flamenco sem compasso, onde o ritmo não é ditado pelo povo, mas pela astúcia de quem já nasceu com o microfone na mão. A lei existe para garantir igualdade, mas a malandragem insiste em encontrar brechas.

Resultado? O poder continua nas mesmas mãos, embalado por palmas e batuques que, em vez de celebrarem a democracia, marcam o compasso da desigualdade. Um espetáculo que mistura tragédia e comédia, onde o público ri para não chorar.

Nota do autor: Esta crônica é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações reais é mera coincidência.

Jorge Ramos, jornalista, comentarista político, articulista e cronista, consultor financeiro e securitário. Graduado em Administração/Gestão Pública, com extensão em Marketing Político Eleitoral e pós-graduação em Direito Constitucional.

 

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