A sanha pelo controle das pessoas disfarçada de bom moço, o Brasil não pode aceitar
Enquanto a União Europeia avança em uma regulação pontual e inteligente da inteligência artificial, proibindo apenas os sistemas capazes de gerar imagens sexuais sem consentimento — os chamados deepfakes — o Brasil parece trilhar um caminho bem diferente.
Na Europa, o acordo firmado entre os Estados-membros e o Parlamento busca proteger mulheres e crianças de abusos digitais, sem sufocar o ecossistema de inovação. A medida entra em vigor em dezembro e exige que sistemas de IA tenham barreiras técnicas contra esse tipo de conteúdo e que resultados sejam identificados com marca d’água. É o exemplo claro de “eliminar o carrapato sem machucar o cachorro”: atacar o problema específico sem sacrificar toda a liberdade tecnológica.
Já no Brasil, sob o discurso de “proteger a democracia” e “defender a moralidade”, setores progressistas defendem medidas que vão muito além da proteção contra abusos. Querem impor controle absoluto sobre o que o cidadão pode ver, escrever e compartilhar, chegando a discutir quais redes sociais podem ou não ser usadas. Isso apesar de já termos leis que punem crimes digitais e garantem proteção contra difamação, incitação ao ódio e exploração sexual.
O paralelo com regimes autoritários, como o da China, é inevitável: o controle amplo e irrestrito sobre a internet é típico de governos que não confiam na liberdade de seus cidadãos. A metáfora nunca foi tão precisa: em vez de eliminar o carrapato, querem matar o cachorro.
A pergunta que fica: no Brasil, alguns influenciadores e políticos convenientemente querem matar o cachorro com discurso de proteção. Agora resta saber se o povo aceitará ser amordaçado em nome de uma falsa segurança, ou se terá coragem de rasgar a coleira antes que seja tarde demais.
Por Jorge Ramos — Redação Vai Vendo Brasil







