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Conselho de Ética aplica punições desiguais e reacende debate sobre “dois pesos e duas medidas”

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Foto: Divulgação/ Arte: Pagina Magno Malta

Suspensão de Marcel Van Hatten, Zé Trovão e Marcos Polon contrasta com casos de deputados de esquerda, como Glauber Braga, que não tiveram afastamento imediato mesmo diante de acusações mais graves.

Em uma sessão de quase dez horas, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiu suspender por dois meses Marcel Van Hatten (NOVO-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Polon (PL-MS). Os parlamentares foram acusados de motim e obstrução ao funcionamento da Casa após ocuparem a Mesa Diretora em protesto contra decisões judiciais e em defesa da votação de anistia.

A medida disciplinar, que os afasta temporariamente das atividades parlamentares sem perda de mandato, gerou forte reação e abriu espaço para críticas sobre a aplicação desigual de sanções. Muitos parlamentares e analistas apontam que, em outras ocasiões, deputados de esquerda envolvidos em episódios considerados mais graves não receberam punições equivalentes, configurando o que se chama de “dois pesos e duas medidas”.

Um exemplo recente é o caso de Glauber Braga (PSOL-RJ). Em 2024, o deputado foi acusado de agressão a um militante do MBL e de ocupar a Mesa Diretora. O Conselho de Ética aprovou sua cassação por 13 votos a 5, mas a decisão dependia de confirmação pelo plenário e não resultou em afastamento imediato. Durante o processo, Glauber iniciou uma greve de fome e recebeu apoio de colegas do PSOL e PT, que obstruíram votações em plenário.

Além disso, outros parlamentares de esquerda já protagonizaram protestos internos e ocupações de plenário sem que houvesse suspensão efetiva. Para críticos, isso evidencia seletividade política na aplicação das sanções. Já os defensores da decisão afirmam que atos como a ocupação da Mesa Diretora inviabilizam o funcionamento da Câmara e configuram quebra de decoro.

O episódio expõe não apenas a tensão entre governo e oposição, mas também a necessidade de maior clareza e consistência nos critérios de julgamento do Conselho de Ética.

 

Por Jorge Ramos – Redação Vai Vendo Brasil / Fonte: Câmara dos Deputados

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