Entre igualdade formal e material: o Supremo reafirma que justiça exige tratar desigualmente os desiguais
O embate de visões A lei catarinense, sancionada pelo governador Jorginho Mello, defendia que todos os cidadãos deveriam ser avaliados apenas por critérios socioeconômicos e de deficiência, eliminando as cotas raciais. Essa postura se apoiava na ideia de igualdade formal, em que todos são tratados da mesma maneira, independentemente de suas condições históricas ou sociais.
⚖️ O contraponto do STF O Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, reafirmou que a Constituição não se limita à igualdade formal, mas busca a igualdade material. Isso significa reconhecer que grupos historicamente discriminados não partem do mesmo ponto de largada e, portanto, precisam de políticas específicas para competir em condições justas. O relator Gilmar Mendes lembrou que a Corte já consolidou a constitucionalidade das ações afirmativas raciais.
📊 Impacto prático Dados oficiais mostram que quase metade dos estudantes que ingressaram por meio das cotas raciais em universidades federais concluíram a graduação. Esse resultado reforça que as ações afirmativas não criam privilégios, mas ampliam oportunidades e corrigem distorções estruturais.
📢 Atores políticos A ação que levou à derrubada da lei foi movida por PSOL, PT, PCdoB e pelo Conselho Federal da OAB, evidenciando que o debate não é apenas jurídico, mas também político e ideológico. De um lado, setores que defendem a neutralidade absoluta da lei; de outro, partidos e entidades que sustentam que justiça exige reconhecer desigualdades históricas e buscar reparação.
🔎 Reflexão editorial A decisão do STF não se limita ao ensino superior. Ela sinaliza que qualquer tentativa de restringir políticas de inclusão racial nos estados encontrará resistência constitucional. O embate entre igualdade formal e material deve se repetir em outros campos — saúde, mercado de trabalho, concursos públicos — e tende a se tornar um dos grandes temas da política brasileira nos próximos anos.
Por Jorge Ramos – Redação Vai Vendo Brasil







