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Americana evoluiu, mas sua política continua aprisionada na província

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Foto: Reprodução/ Portal Novo Momento

O levantamento do Portal Novo Momento sobre 2028 expõe candidatos frágeis e carentes de preparo, enquanto a cidade enfrenta problemas estruturais graves em saúde, mobilidade e serviços públicos

O levantamento antecipado divulgado pelo Portal Novo Momento sobre as eleições de 2028 em Americana escancara um paradoxo: a cidade cresceu, se modernizou, mas seus políticos parecem estacionados na coroa do século passado. Americana não é mais província, mas os nomes que despontam como possíveis candidatos ao executivo municipal revelam uma pobreza absoluta de opções.

O vereador mais votado em 2024 confunde votos com competência, como se popularidade fosse sinônimo de preparo para gerir um patrimônio coletivo de 240 mil habitantes. O atual vice-prefeito, por sua vez, é visto como um Sancho Pança moderno, personagem de Cervantes que simboliza a subserviência e a falta de protagonismo, incapaz de inspirar confiança para assumir o papel de gestor de uma cidade que exige visão estratégica.

A ex-vereadora e atual primeira-dama de Campinas, que já disputou a prefeitura e figurou em segundo lugar, desponta como uma das poucas com experiência executiva real. O ex-deputado Vanderlei Macris, com meio século de legislativo, carrega bagagem administrativa superior à maioria, mas enfrenta o desgaste da rejeição criada pelo filho ligado ao MBL e a crítica de falta de humanidade — o “coração do Leco” — tão necessário para compreender os problemas reais da cidade.

Nesse cenário, há especulação sobre a entrada de um empresário do setor de educação superior privado, um “outsider” que poderia mexer nas estruturas tradicionais. Ao mesmo tempo, nomes como Gualter Amado, Thiago Brochi e Leco Soares são apontados como mais preparados tecnicamente, conhecedores dos problemas locais e com noção de gestão executiva. Gualter precisaria de uma equipe forte, Brochi talvez viva seu momento, mas limitar o município a uma “farda” não parece adequado para uma cidade que se atualiza mesmo sem grandes intervenções políticas.

O ponto central é evidente: administrar uma prefeitura é lidar com um orçamento bilionário e uma dívida que margeia ou supera esse valor. Mas além das cifras, Americana ainda sofre com problemas primários na saúde, especialmente na logística de atendimento e demanda dos usuários, enfrenta desafios sérios de mobilidade urbana, e convive com questões estruturais ligadas a serviços como Estapar, Soul Americana e o DAE. Mais do que números, são 240 mil vidas que dependem de decisões responsáveis e de uma gestão que compreenda a complexidade da cidade.

Se o quadro atual se confirmar, Americana estará diante de uma pobreza de opções, com raras exceções. A cidade exige gestores à altura de sua evolução — e não políticos parados no tempo, presos à vaidade sem capacidade.

Vaidade sem capacidade é a tragédia que condena cidades modernas a governos medíocres e cidadãos desassistidos.
 
Este é um artigo de opinião que foi pensado na realidade de hoje. Os personagens políticos podem mudar, evoluir e até mesmo provar o contrário do que aqui se expõe, até porque as eleições municipais serão apenas em 2028.
 

Por Jorge Ramos, Jornalista, comentarista político, articulista e cronista, consultor financeiro e securitário, graduado em administração/gestão pública com extensão em marketing político-eleitoral e pós-graduado em direito constitucional.

 
 
 
 

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