Entre promessas de inclusão e acusações de autoritarismo, a democracia precisa reencontrar o equilíbrio entre valores permanentes e liberdades individuais.
Barcelona foi palco da IV Reunião em Defesa da Democracia, onde líderes progressistas como Pedro Sánchez, Lula, Gustavo Petro e Claudia Sheinbaum defenderam reformas institucionais e maior protagonismo internacional. O discurso foi embalado pela ideia de que a democracia precisa ser protegida contra “ameaças externas e internas”.
Mas há um paradoxo evidente: a chamada “democracia progressista” se apresenta como guardiã da liberdade, mas em diversos momentos históricos mostrou-se restritiva e até autoritária.
Avanços sociais
Chile (Allende) e a América Latina nos anos 2000: inclusão popular e redução da pobreza.
Europa social-democrata: consolidação de Estados de bem-estar social.
Limitações e autoritarismo
Cuba: saúde e educação universais, mas censura política.
Nicarágua (Ortega): manipulação eleitoral e repressão.
Venezuela (Chávez/Maduro): inclusão inicial seguida de concentração de poder e repressão.
Brasil recente: protagonismo do Judiciário e leis vistas como privilégios, com críticas à relativização do artigo 5º da Constituição sobre liberdade de expressão.
Conservadorismo e Liberalismo
O conservadorismo lembra que a democracia não se sustenta apenas em políticas sociais, mas em instituições sólidas e valores permanentes. A família tradicional, por exemplo, é vista como núcleo de estabilidade social, mas vem sendo relativizada em discursos de “pseudo-liberdade” que fragilizam vínculos comunitários.
O liberalismo, por sua vez, defende a liberdade individual, o pluralismo e os limites ao poder estatal. É um contraponto necessário ao progressismo, pois garante que a busca por justiça social não se transforme em controle excessivo sobre a vida privada e a expressão pública.
O discurso de ódio invertido
Um dos pontos mais críticos é a retórica progressista sobre “discurso de ódio”. A esquerda acusa seus opositores de incitar ódio, mas muitas vezes recorre a narrativas agressivas contra conservadores e liberais. Essa inversão funciona como tática de deslegitimação: rotular críticas como “ódio” para justificar censura e controle. É uma estratégia que ecoa práticas de inspiração marxista, onde o adversário é sempre enquadrado como inimigo da democracia, mesmo quando defende apenas liberdade de expressão ou valores tradicionais.
Conclusão
O encontro em Barcelona simboliza a tentativa da esquerda de se colocar como guardiã da democracia. Mas a experiência histórica mostra que tanto o progressismo quanto o conservadorismo e o liberalismo têm papéis complementares:
O progressismo amplia direitos sociais e inclusão.
O conservadorismo preserva valores e instituições que sustentam a liberdade.
O liberalismo garante que o Estado não ultrapasse os limites da autonomia individual.
Sem esse equilíbrio, a democracia corre o risco de se tornar apenas retórica — seja pela concentração de poder em nome da “proteção”, seja pela erosão de instituições fundamentais como a família, a liberdade de expressão e o pluralismo político.
Enquanto no Brasil a mídia festiva tenta passar que somos bem vistos na Espanha pic.twitter.com/dhn1krzhlz
— Vai Vendo Brasil SP News Portal de Noticias (@VaiNews64141) April 18, 2026
Leitura complementar: O artigo publicado no Vai Vendo Brasil (“Esquerda espanhola x esquerda brasileira: dois modelos em contraste”) mostra como a esquerda espanhola busca se alinhar ao multilateralismo democrático, enquanto a brasileira se aproxima de práticas mais autoritárias, reforçando a crítica de que o progressismo nacional se distancia dos valores liberais e conservadores.
Por Jorge Ramos – Redação Vai Vendo Brasil







