Estudo mostra que o Brasil tem carga horária inferior à média global; proposta da deputada Erika Hilton reacende discussão sobre jornada e produtividade.
Um levantamento realizado pelo economista Daniel Duque (FGV Ibre), com base em dados de 160 países reunidos por Amory Gethin (Banco Mundial) e Emmanuel Saez (Universidade da Califórnia, Berkeley), mostrou que:
Média global: 42,7 horas semanais de trabalho remunerado.
Brasil: 40,1 horas semanais, considerando empregos formais e informais.
O estudo indica que o brasileiro trabalha menos do que seria esperado para seu nível de produtividade e perfil demográfico. Para Duque, trata-se de uma questão cultural: uma preferência por mais lazer. O resultado, porém, é uma menor renda per capita.
O debate político
Paralelamente, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou a PEC 60/2024, que propõe o fim da chamada escala 6×1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso. A proposta sugere a adoção de uma jornada reduzida, como a escala 4×3, que daria três dias de folga por semana e reduziria a carga semanal de 44 para 36 horas.
Hilton argumenta que a escala atual é “uma prisão” e incompatível com a dignidade do trabalhador, defendendo que mais tempo livre é essencial para qualidade de vida e desenvolvimento pessoal.
Produtividade em xeque
Economistas como Samuel Pessôa (FGV Ibre) alertam que, embora a busca por mais lazer seja legítima, a redução de horas pode impactar diretamente o PIB per capita. Países asiáticos como Coreia e Taiwan, por exemplo, trabalham mais horas do que seria esperado e colhem resultados econômicos superiores.
No Brasil, a discussão sobre reduzir a jornada surge em um contexto em que já se trabalha menos que a média mundial, mas sem ganhos proporcionais de produtividade.
Reflexão final
O famoso “6×1” contra a Alemanha, na Copa de 2014, virou símbolo de frustração nacional. Agora, diante da possibilidade de extinguir a escala 6×1 no mercado de trabalho, fica a provocação:
“Será que o fim do fantasma do 6×1 seria justamente o momento de mostrar que o Brasil pode ser eficiente sem abrir mão da qualidade de vida?”
Por Jorge Ramos – Redação Vai Vendo Brasil /Fontes: FGV Ibre, Banco Mundial, Universidade da Califórnia – Berkeley, Folha de S.Paulo, Melhor Investimento.







