EUA recuam na acusação de que Maduro lideraria o suposto Cartel de Los Soles, mas mantêm denúncias de narcotráfico e corrupção, em meio à disputa geopolítica pelo petróleo venezuelano
O Departamento de Justiça dos EUA recuou na acusação de que Nicolás Maduro seria o líder do suposto Cartel de Los Soles. Na denúncia original de 2020, o termo aparecia 33 vezes e atribuía a Maduro a chefia da organização. Agora, na peça apresentada em janeiro de 2026, o cartel é citado apenas duas vezes, sem qualquer menção à liderança direta do presidente venezuelano.
O que mudou na acusação
Antes (2020): Maduro era descrito como líder do Cartel de Los Soles, usado como justificativa política para a invasão da Venezuela.
Agora (2026): O texto afirma que Maduro perpetua uma cultura de corrupção e clientelismo, protegendo elites que lucram com o tráfico, mas não o coloca como chefe formal de um cartel.
Justificativa: Especialistas apontam que não há evidências suficientes para caracterizar o cartel como uma organização criminosa estruturada. A nova estratégia fortalece a acusação ao focar em condutas individuais comprováveis (narcotráfico, corrupção e associação criminosa).
Credibilidade internacional
O Relatório da DEA de 2025 não menciona o Cartel de Los Soles.
A ONU também nunca reconheceu oficialmente a existência do cartel.
Consultores da União Europeia alertam que o uso indiscriminado do termo “cartel” poderia criminalizar o Estado venezuelano como um todo, com efeitos severos sobre a população.
Acusações mantidas
Apesar do recuo, os EUA seguem acusando Maduro de:
Parcerias com narcoguerrilhas colombianas (Farc e ELN).
Relações com cartéis mexicanos (Sinaloa e Zetas).
Distribuição de toneladas de cocaína para os EUA com apoio de funcionários corruptos.
O pano de fundo: petróleo e geopolítica
Caracas acusa Washington de usar o narcotráfico como justificativa para controlar as maiores reservas de petróleo do mundo.
Em reunião da OEA, diplomatas dos EUA afirmaram que não permitirão que o petróleo venezuelano fique sob controle de “adversários” como Rússia, Irã, China e Hezbollah.
Em resumo: Maduro continua acusado de narcotráfico e corrupção, mas os EUA retiraram a narrativa de que ele lidera um cartel formal. Isso mostra uma mudança de estratégia jurídica, focando em provas concretas e evitando termos frágeis que poderiam comprometer o processo.
Fonte: Agência Brasil – Por Jorge Ramos – da Redação Vai Vendo Brasil







