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Artigo: 08/01/2023 – O Golpe que Nunca Existiu

Perdeu-Mane-1024x578 Artigo: 08/01/2023 - O Golpe que Nunca Existiu
Foto: Foto: Wilton Junior/Estadão/ Divulgação/ Arte: J. Ramos/ VVB Sp News

Entre a dureza da lei e a conveniência da narrativa, resta a verdade sufocada.

Três anos depois, ainda ecoa nos corredores do poder a narrativa de que o Brasil teria vivido uma “tentativa de golpe”. O episódio de 8 de janeiro de 2023 foi elevado à categoria de marco histórico. Mas a verdade inconveniente é que não houve golpe. Houve protesto radical, desordem e vandalismo — e uma narrativa oficial que transformou indignação popular em conspiração.

A invenção conveniente

  • Não houve comando militar, tanques nas ruas ou quartéis mobilizados.

  • O que existiu foram manifestantes inconformados com os resultados das urnas — e até hoje muitos não estão satisfeitos.

  • Mas daí a chamá-los de “atentadores do Estado Democrático de Direito” é, no mínimo, maldade. Uma maldade aplicada com a força da lei: Dura lex, sed lex — a lei é dura, mas é a lei.

  • Só que, na prática, essa dureza virou discurso. Daí nasce o deboche: Lex ora lex — a lei não como justiça, mas como oratória, como narrativa conveniente.

O custo da narrativa

  • Milhões de reais foram gastos em exposições, documentários e campanhas para fixar a versão oficial.

  • Centenas de cidadãos foram presos preventivamente, muitos ainda respondendo por processos longos e desgastantes.

  • O preço humano é devastador: famílias destruídas, carreiras arruinadas, pessoas transformadas em símbolos de um crime que nunca existiu.

O tribunal da memória

  • A insistência em chamar vandalismo de golpe é uma estratégia de poder.

  • Quem questiona a versão oficial é rotulado de cúmplice ou negacionista.

  • O “golpe que nunca existiu” virou dogma: não se discute, não se relativiza, apenas se repete.

O frenesi por trás da mentira

  • Memória seletiva: eternizar o episódio como golpe garante que futuras gerações vejam manifestantes como traidores.

  • Polarização útil: manter viva a ideia de ameaça fortalece quem se apresenta como guardião da democracia.

  • Economia política da narrativa: transformar protesto em golpe rende capital político e legitima gastos públicos.

Conclusão

O Brasil não viveu um golpe em 8 de janeiro de 2023. Viveu um protesto violento, desorganizado, que jamais teve condições de tomar o poder. O “golpe” é uma invenção conveniente, uma mentira oficial que custa caro — em dinheiro público e em vidas destruídas. O verdadeiro atentado não foi contra os prédios, mas contra a verdade.

 

✍️ Jorge Ramos é Jornalista, Comentarista político, articulista e cronista, consultor financeiro e secretário. Graduado em Administração/Gestão Pública com extensão em Marketing Político, pós-graduado em Direito Constitucional.

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