Divisão entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro paralisa negociações no Ceará e coloca Ciro Gomes em evidência no cenário nacional
A tentativa de aproximação do Partido Liberal (PL) com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará escancarou uma crise interna no bolsonarismo. O movimento, articulado por lideranças locais do PL, foi inicialmente visto como estratégia para enfrentar o PT no estado, mas acabou gerando um racha público entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Michelle rejeitou a ideia de apoiar Ciro, lembrando que o ex-governador foi um dos críticos mais duros de Jair Bolsonaro e chegou a assinar a petição que levou à sua inelegibilidade. Em resposta, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro acusaram a ex-primeira-dama de “atropelar” o processo e interferir em negociações partidárias.
Diante da disputa, a direção nacional do PL decidiu suspender as conversas com Ciro Gomes e buscar outro nome para disputar o governo estadual. Michelle reforçou apoio ao senador Eduardo Girão (Novo), enquanto parte do PL cearense ainda via em Ciro uma alternativa competitiva contra o PT.
Apesar da suspensão, o episódio deu visibilidade nacional a Ciro Gomes, que aparece em pesquisas com até 19% das intenções de voto em cenários sem Lula e Bolsonaro. Analistas apontam que o racha bolsonarista pode abrir espaço para que Ciro se torne opção para setores da direita descontentes com a família Bolsonaro.
O caso expõe fragilidade dentro do PL e mostra que o bolsonarismo não é monolítico, com disputas internas sobre quem deve liderar alianças regionais. A crise no Ceará pode ter reflexos maiores na estratégia eleitoral da direita em 2026.
Da redação Vai Vendo Brasil







