
Com a esquerda fragmentada e em queda, a Bolívia decide neste domingo entre dois candidatos de direita — Samuel Doria Medina (21,76%) e Jorge Tuto Quiroga (20,70%) — em uma eleição marcada pela crise econômica e o desgaste do modelo estatista
Neste domingo, 17 de agosto de 2025, a Bolívia pode virar uma página decisiva de sua história política. Após quase duas décadas sob o comando do Movimento ao Socialismo (MAS), o país se vê diante de uma escolha: persistir em um modelo estatista e populista que já não entrega resultados, ou abrir espaço para uma nova direção — mais liberal, mais pragmática, mais conectada à realidade econômica.
O MAS, fundado por Evo Morales, chegou ao poder com promessas de inclusão social, nacionalismo econômico e redistribuição de riqueza. Durante o boom das commodities, essas promessas pareceram se concretizar. O país cresceu, investiu em infraestrutura e reduziu a pobreza. Mas o modelo tinha prazo de validade — e ele venceu.
A Bolívia hoje enfrenta escassez de dólares, filas por combustível, inflação crescente e uma crise institucional profunda. As reservas cambiais despencaram de US$ 15 bilhões em 2015 para menos de US$ 2 bilhões em 2024. O gás natural, principal fonte de receita, foi negligenciado. Não houve reinvestimento, nem planejamento. E os principais compradores — Brasil e Argentina — seguiram caminhos próprios, deixando a Bolívia sem mercado e sem alternativas.
O que se vê agora é o colapso de um projeto que confundiu justiça social com dependência estatal. A esquerda boliviana, dividida entre Evo Morales e Luis Arce, não conseguiu renovar suas lideranças nem seu discurso. Morales, impedido de concorrer, pede votos nulos. Arce, impopular, sequer tenta a reeleição. O candidato do MAS, Andrónico Rodríguez, aparece com apenas 8,26% de apoio nas pesquisas.
Segundo dados da Spie Consulting SRL, coletados entre 5 e 10 de julho, a disputa presidencial está acirrada entre os candidatos da direita: Samuel Doria Medina lidera com 21,76% das intenções de voto, seguido de perto por Jorge Tuto Quiroga com 20,70%. Em terceiro lugar aparece Manfred Reyes Villa com 10,01%. O elevado número de votos em branco (14,76%) e indecisos (5,31%) mostra que o eleitor boliviano ainda busca uma saída confiável para a crise.
Se confirmada a vitória da direita, a Bolívia pode iniciar uma transição para um modelo mais liberal, inspirado por reformas econômicas em países vizinhos. Este editorial não celebra a derrota de um partido, mas sim o despertar de um país. A Bolívia não precisa de salvadores, precisa de gestores. Precisa de líderes que entendam que redistribuir riqueza exige antes produzi-la. Que inclusão social não se sustenta com subsídios eternos, mas com oportunidades reais.
Se a Bolívia escolher mudar, não será apenas uma vitória da direita. Será uma vitória da maturidade política. Será o reconhecimento de que modelos falham — e que é preciso coragem para abandoná-los.
Por Redação Vai Vendo Brasil Sp News
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