
Após quase duas décadas de hegemonia socialista, bolivianos sinalizam desejo por mudança: direita tradicional lidera corrida presidencial em meio à fragmentação da esquerda, as eleições estão programadas para dia 17 de agosto
A Bolívia se prepara para as eleições gerais de 17 de agosto com um cenário político radicalmente diferente do que se viu nas últimas duas décadas. Após 19 anos sob liderança do Movimento ao Socialismo (MAS), forças da direita ganham protagonismo nas pesquisas, impulsionadas por uma esquerda fragmentada e desacreditada diante de crises internas e econômicas.
Colapso do MAS e desgaste de Evo Morales O ex-presidente Evo Morales, impedido de concorrer novamente, convocou os bolivianos a anularem seus votos e disparou críticas contra antigos aliados. A sua influência permanece divisiva: parte do MAS segue fiel a Evo, enquanto outros líderes, como o presidente do Senado Andrónico Rodríguez e a prefeita Eva Copa, romperam com o partido e tentam viabilizar suas próprias candidaturas—sem sucesso até agora.
O atual presidente Luis Arce, também do MAS, desistiu da reeleição em meio à queda de popularidade e à insatisfação popular com a crise econômica. O partido indicou Eduardo De Castillo, que amarga menos de 2% de intenção de voto.
Ascensão da direita tradicional Do outro lado, candidatos da direita como Samuel Medina e Jorge “Tuto” Quiroga despontam como favoritos, somando cerca de 47% das intenções de votos. Medina, megaempresário boliviano e duas vezes candidato à presidência, lidera as pesquisas. Quiroga, político veterano, já foi presidente interino e ministro da Fazenda nos anos 1990.
Se confirmado esse cenário, o país pode viver um segundo turno inédito em outubro, colocando à prova não só a força da nova direita boliviana, mas também a estabilidade de um modelo constitucional plurinacional instaurado em 2009, sob o governo de Evo.
O que está em jogo? Mais do que a troca de governo, o pleito boliviano de 2025 representa o possível fim de uma era política marcada por forte presença indígena, movimentos sociais e políticas de nacionalização. Analistas alertam que o MAS corre o risco de se tornar irrelevante no parlamento, incapaz de atingir a cláusula de barreira de 3% dos votos.
A direita, embora não seja extrema, enfrenta o desafio de governar com um congresso fragmentado e de preservar as conquistas sociais e institucionais dos últimos anos. A transição, caso se concretize, será um marco na história recente da Bolívia.
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