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Brasileiros trabalham menos que a média mundial, mas debate sobre fim da escala 6×1 ganha força

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Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados/09-07-2024 Autora da PEC que quer o fim da escala de trabalho 6x1, Erika Hilton (PSOL-SP)

Estudo mostra que o Brasil tem carga horária inferior à média global; proposta da deputada Erika Hilton reacende discussão sobre jornada e produtividade.

Um levantamento realizado pelo economista Daniel Duque (FGV Ibre), com base em dados de 160 países reunidos por Amory Gethin (Banco Mundial) e Emmanuel Saez (Universidade da Califórnia, Berkeley), mostrou que:

  • Média global: 42,7 horas semanais de trabalho remunerado.

  • Brasil: 40,1 horas semanais, considerando empregos formais e informais.

O estudo indica que o brasileiro trabalha menos do que seria esperado para seu nível de produtividade e perfil demográfico. Para Duque, trata-se de uma questão cultural: uma preferência por mais lazer. O resultado, porém, é uma menor renda per capita.

O debate político

Paralelamente, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou a PEC 60/2024, que propõe o fim da chamada escala 6×1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso. A proposta sugere a adoção de uma jornada reduzida, como a escala 4×3, que daria três dias de folga por semana e reduziria a carga semanal de 44 para 36 horas.

Hilton argumenta que a escala atual é “uma prisão” e incompatível com a dignidade do trabalhador, defendendo que mais tempo livre é essencial para qualidade de vida e desenvolvimento pessoal.

Produtividade em xeque

Economistas como Samuel Pessôa (FGV Ibre) alertam que, embora a busca por mais lazer seja legítima, a redução de horas pode impactar diretamente o PIB per capita. Países asiáticos como Coreia e Taiwan, por exemplo, trabalham mais horas do que seria esperado e colhem resultados econômicos superiores.

No Brasil, a discussão sobre reduzir a jornada surge em um contexto em que já se trabalha menos que a média mundial, mas sem ganhos proporcionais de produtividade.

Reflexão final

O famoso “6×1” contra a Alemanha, na Copa de 2014, virou símbolo de frustração nacional. Agora, diante da possibilidade de extinguir a escala 6×1 no mercado de trabalho, fica a provocação:

“Será que o fim do fantasma do 6×1 seria justamente o momento de mostrar que o Brasil pode ser eficiente sem abrir mão da qualidade de vida?”

 

Por Jorge Ramos – Redação Vai Vendo Brasil /Fontes: FGV Ibre, Banco Mundial, Universidade da Califórnia – Berkeley, Folha de S.Paulo, Melhor Investimento. 

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