Denis Andia consolida capital político federal, Felipe Sanches arrisca fidelidade em dobrada com Franco Sardelli, e Ricardo Molina observa a disputa que pode pulverizar votos na região.
Santa Bárbara d’Oeste e Americana vivem um momento raro: o epicentro de uma disputa que coloca lado a lado criador e criatura, mentor e pupilo, cada qual buscando espaço no campo federal.
Denis Andia (MDB), ex-prefeito de SBO, saiu das urnas em 2020 com votação expressiva em Santa Bárbara e Americana, tornando-se 1º suplente da legenda. Pouco depois, ganhou projeção nacional como 2º homem do Ministério das Cidades e hoje ocupa o cargo de Secretário Nacional de Mobilidade Urbana. Denis transformou cada degrau em capital político, consolidando-se como puxador de votos e referência regional.
Do outro lado, Felipe Sanches (Republicanos), vice-prefeito reeleito de SBO e indicado por Denis como sucessor político, tenta se projetar para Brasília. Mas sua eventual dobrada com Franco Sardelli (PL) — que estreia na política estadual e deixa a chefia de gabinete para disputar sua primeira eleição — abre um dilema: estaria Felipe rompendo com a fidelidade pessoal ao mentor e fragilizando sua posição dentro do Republicanos? Afinal, o partido já tem em Ricardo Molina, suplente em 2020 e hoje assessor especial da Casa Civil ligado ao governador Tarcísio de Freitas, o nome natural para Estadual.
E aqui surge o ponto mais delicado: o governador Tarcísio já esteve alinhado com Chico Sardelli em Americana. Agora, diante da disputa em Santa Bárbara, a pergunta é inevitável: vai apoiar Felipe Sanches ou Ricardo Molina? Essa escolha pode redefinir não apenas o equilíbrio interno do Republicanos, mas também o peso da dobrada com Franco Sardelli.
Essa costura cria um paradoxo: Franco, em sua primeira campanha, pode ser o fio condutor de alianças pragmáticas, mas sua dobrada com Felipe gera ruídos tanto no Republicanos quanto no MDB. E paira ainda a suspeita de que a máquina pública local, sob comando do pai de Franco, possa ser usada para fortalecer a candidatura — o que adiciona mais tensão ao cenário.
O Tabuleiro em Brasa
Pulverização de votos: Denis e Felipe pescam no mesmo aquário em SBO, dividindo o eleitorado fiel ao grupo.
Lealdade em xeque: Felipe arrisca ser visto como traidor, tanto no plano pessoal quanto partidário.
Franco como pivô: sua escolha de dobrar pode definir a dinâmica em Americana e Santa Bárbara.
O dilema do governador: Tarcísio terá que escolher entre Felipe e Molina, decisão que pode alterar o rumo da disputa regional.
Conclusão
O MDB mostra força com Denis, o Republicanos se vê dividido entre Felipe e Molina, e o PL aposta na estreia de Franco. Mas, no xadrez político da região, cada dobrada pode valer mais que mil discursos — ou custar a fidelidade de uma vida inteira.
“Entre Felipe, Franco e Molina, o governador terá que escolher não apenas um aliado, mas também qual lealdade vale mais: a partidária, a pessoal ou a pragmática.”







