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A Caminhada “Acorda Brasil”: símbolo de resistência, recado político e ameaça eleitoral

Nikolas-Acorda-Brasil A Caminhada “Acorda Brasil”: símbolo de resistência, recado político e ameaça eleitoral
Foto: Divulgação/ Arte: J. Ramos VVB Sp News

O ato que a esquerda desdenhou, mas que pode pesar em outubro de 2026

A Caminhada e seu simbolismo

A chegada da caminhada “Acorda Brasil” a Brasília, liderada pelo deputado Nikolas Ferreira, foi marcada por uma narrativa de resistência. Percorrer centenas de quilômetros a pé, enfrentando sol e chuva, é um gesto que carrega peso simbólico: sacrifício, fé e disposição para lutar por causas consideradas fundamentais. Esse simbolismo, por si só, já confere ao ato uma aura de excepcionalidade.

A ausência do Centrão e a limitação política

Apesar da força narrativa, o ato não conseguiu se projetar como manifestação nacional ampla. O Centrão, bloco decisivo na dinâmica do Congresso, não aderiu à caminhada. A ausência de lideranças pragmáticas e de partidos que compõem a base política mostra que o evento se consolidou como uma demonstração de identidade específica, mais do que como um protesto transversal.

O caráter bolsonarista

O que se viu em Brasília foi, sobretudo, um ato bolsonarista. A caminhada reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, parlamentares alinhados à direita e figuras religiosas próximas ao bolsonarismo. O discurso central não foi o de um “grito entalado da nação” contra problemas estruturais do país, mas sim o de reafirmação de uma causa: a defesa de Bolsonaro e dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Atração de não bolsonaristas

Ainda assim, o simbolismo da caminhada conseguiu atrair simpatia de pessoas fora do bolsonarismo. Há quem veja no ato uma forma de protesto contra o que consideram uma democracia seletiva, marcada por perseguições e restrições. Para esse público, a caminhada foi mais do que um ato partidário: foi uma oportunidade de expressar insatisfação diante da sensação de sufocamento democrático.

A confusão entre política e religião

Um ponto que incomoda muitos liberais e conservadores seculares é a fusão entre conservadorismo político e conservadorismo religioso. A ala evangélica, ao tentar monopolizar o discurso conservador, confunde fé com identidade partidária. Essa sobreposição transforma disputas políticas em batalhas espirituais, afastando aqueles que defendem valores conservadores sem vínculo religioso. O resultado é um movimento que emociona e mobiliza, mas que também limita seu alcance ao confundir religião com política.

O recado político e 2026

É importante destacar que esse gesto, inicialmente desdenhado pela esquerda, acabou se tornando um recado claro: a liderança mudou de nome, mas continua muito forte — talvez até mais do que antes. A caminhada mostrou que há energia, mobilização e narrativa capazes de manter viva uma base política que não se dissolve com o tempo. Esse fator pode refletir duramente nas eleições de outubro de 2026, quando o simbolismo e a força de mobilização poderão se transformar em capital político real.

Conclusão

No fim, a caminhada “Acorda Brasil” revelou tanto a força simbólica de um ato de resistência quanto os limites de sua abrangência política. Se por um lado conseguiu atrair simpatia de pessoas além do bolsonarismo, especialmente aquelas que enxergam sinais de uma democracia seletiva, por outro expôs uma confusão incômoda: a fusão entre conservadorismo político e conservadorismo religioso. Essa sobreposição, alimentada por setores da ala evangélica, tenta transformar fé em identidade partidária, mas acaba afastando liberais, conservadores seculares e outros grupos anti-esquerda que não aceitam ver a política reduzida a uma batalha espiritual. O resultado é um movimento que emociona e mobiliza, mas que também limita seu alcance — deixando de ser o “grito entalado da nação” para se tornar o grito de uma parte dela. Ainda assim, o recado está dado: a força política permanece viva e pode pesar nas urnas em 2026.

 

Por Jorge Ramos Jornalista, comentarista político, articulista e cronista, consultor financeiro e securitário. Graduado em Administração/Gestão Pública com extensão em Marketing Político e pós-graduado em Direito Constitucional.


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