
Após um verão marcado por calor extremo, incêndios devastadores e um Mediterrâneo superaquecido, especialistas alertam que a crise climática já é parte da rotina dos espanhóis
Madrid (ESP) — A Espanha encerra o verão meteorológico de 2025 com um cenário alarmante que escancara a emergência climática: temperaturas recordes, incêndios devastadores, mar Mediterrâneo superaquecido e milhares de mortes atribuídas ao calor. Segundo especialistas, os eventos extremos que antes eram previstos para o futuro já fazem parte da nova realidade do país.
Verões mais quentes da história
Os verões de 2022 e 2025 estão empatados como os mais quentes desde o início das medições da Agência Meteorológica do Estado (Aemet), em 1961. A temperatura média entre junho e agosto ficou dois graus acima do normal, com noites tropicais sufocantes e ondas de calor que se estenderam por até 16 dias consecutivos, a terceira mais longa da série histórica.
Incêndios sem precedentes
A temporada de incêndios florestais foi brutal: mais de 400 mil hectares queimados, superando os registros de 2022. O fogo atingiu áreas protegidas, causou 8 mortes entre brigadistas e formou pirocúmulos, nuvens de calor semelhantes a cogumelos nucleares, como relatou o cientista José Manuel Gutiérrez Llorente, que testemunhou o incêndio em Almanza.
Impacto na saúde
O calor extremo teve efeitos diretos na saúde da população. O sistema MoMo estima 3.622 mortes relacionadas às altas temperaturas, enquanto o aplicativo MACE aponta para mais de 15 mil mortes neste verão. A fumaça dos incêndios e a impossibilidade de ventilar ambientes agravaram ainda mais o quadro.
Mediterrâneo em alerta
O mar Balear registrou temperaturas superficiais recordes em dois terços dos dias entre janeiro e agosto. Especialistas alertam para o risco elevado de chuvas torrenciais no outono, causadas pela energia acumulada no mar — fenômeno conhecido como “gota fria”.
Reação política e científica
Diante da crise, o presidente Pedro Sánchez propôs um pacto de Estado pela emergência climática, buscando cooperação entre partidos e setores da sociedade. Cientistas como Alicia Pérez-Porro e David García León reforçam que a adaptação exige planejamento de longo prazo, continuidade e ação coordenada.
“Estas ondas de calor e incêndios fazem parte da nova realidade climática que já começamos a viver”, afirma Gutiérrez Llorente, coordenador do próximo relatório do IPCC.
Fonte: EL PAÍS-ES/ Tradução: Jorge Ramos
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