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Luis Fernando Verissimo: o homem que fazia humor sem precisar ser engraçadinho

Luiz-Fernando-Verissimo Luis Fernando Verissimo: o homem que fazia humor sem precisar ser engraçadinho

Uma despedida ao cronista que transformou o sarcasmo em arte e provou que inteligência não precisa de firula

Luis Fernando Verissimo morreu neste sábado, 30 de agosto de 2025, aos 88 anos, em Porto Alegre. A causa: pneumonia. O efeito: um país intelectualmente mais órfão. Para quem escreve com humor ácido e inteligente — como este cronista que vos fala — a notícia não é apenas triste. É pessoal.

Verissimo não era só um cronista. Era uma usina de ironia refinada, um mestre da sutileza, um especialista em dizer muito com pouco. Criador de personagens como o Analista de Bagé (um psicanalista freudiano com alma de peão), Ed Mort (detetive que resolveria crimes se tivesse tempo), e a Velhinha de Taubaté (a última brasileira que acreditava no governo), ele transformou o absurdo nacional em literatura — sem precisar gritar, sem precisar explicar.

O Analista de Bagé, lançado em 1981, esgotou em dois dias. O personagem nasceu para um programa de TV que nunca foi ao ar, mas virou livro, quadrinho e ícone. A graça estava na contradição: um analista sofisticado com métodos que incluíam “pé na bunda” como forma de cura. Freud choraria. De rir.

Verissimo escrevia como quem cochicha uma verdade inconveniente. Seu humor não era de palhaço, era de cirurgião: cortava fundo, mas com elegância. Durante a ditadura, burlava censores com cartuns e crônicas que pareciam inocentes — até que você pensava um pouco. E aí doía.

Fora das letras, era saxofonista, gourmet, torcedor do Internacional e tímido. Tão tímido que preferia que o texto falasse por ele. E falava. Falava tanto que virou referência para quem, como eu, escreve sem diploma, mas com faro. Verissimo provou que a crônica é o lugar onde o Brasil cabe inteiro — desde que se use o humor como lente e o sarcasmo como bisturi.

Hoje, o país perde um cronista. Eu perco um norte. Porque se existe uma bússola para quem escreve com ironia e afeto, ela tinha nome e sobrenome: Luis Fernando Verissimo.

Obrigado, mestre. Por mostrar que inteligência não precisa ser sisuda, que crítica pode vir com riso, e que o Brasil, mesmo quando não merece, ainda rende boas histórias.

— Jorge Ramos, cronista do Vai Vendo Brasil


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